Só não há perdão pra quem não fala de amor

Hoje é o sexto dia e quinto post da Semana Cazuza, aquilo que eu poderia chamar de maior compromisso que eu arranjei desde que criei meu primeiro blog (quando? 2005?). Posso dizer que está sendo divertido me forçar a escrever, mesmo quando meu habitual bloqueio entra em cena. Hoje, porém, me peguei num dilema.

Já escrevi uns dois posts sobre amor e um sobre solidão. Não queria ser repetitiva, ficar aqui falando do meu coração dependente, viciado em amar errado. E nessa missão de ouvir o Agenor cantar na fila da farmácia, no ônibus, no carro do meu pai, antes de dormir, quando acordo e por aí vai, percebi que falar sobre ele sem falar de amor é impossível, mesmo que isso signifique me repetir.

Não me levem a mal, não que ele não tenha outras músicas incríveis sobre outras coisas. Ele falava do fedor da burguesia e como era difícil feder junto com ela, falava da tristeza de não querer mais mudar o mundo, queria mudar o mundo. Falava do Brasil e ainda arranjava tempo pra cantar Cartola com a melhor voz do planeta e fazer todo mundo chorar feito criancinha com a dureza do mundo real destruindo nossos sonhos. Eu não teria a pachorra de vir aqui e falar que Cazuza só falava de amor.

Mas como não ouvir a vontade dele em cada letra? Como não perceber que por mais moderno que fosse, ele só queria um amor com sabor de fruta mordida? Ele era medieval. Acreditava em paixão pra vida toda numa época de relacionamentos fugazes e amores fadados ao fracasso. Eu posso parar agora e começar a falar que deveriam exterminar os chatos, mas não estaria falando tudo sobre um dos maiores artistas brasileiros.

Afinal, qual é o problema em demonstrar emoção? O que tem de tão errado em falar de amor – palavra tabu em tempos onde a breguice é uma ameaça contante? A maioria das pessoas anda tão preocupada com sua cara blasé que deixa passar a poesia de, por pelo menos três minutos, falar o que sente sem reservas.”E por que eu falaria?”, me pergunta o chato que tem vinte mil seguidores no twitter por suas piadinhas super engraçadas. “Porque sem poesia e sem amor é melhor nem acordar na segunda de manhã”, eu respondo.

Relevem se eu soar repetitiva por esses dias. Ou melhor, relevem se eu não soar tão bem quanto o Caju. Nós só queremos transformar o tédio em melodia. E todo amor que houver nessa vida, só por garantia.

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