Ouvir aquela canção do Roberto – BEDA #6

Na quarta-feira passada fiz minha primeira mixtape para o blog. Na minha perspectiva, a proposta de dançar descontroladamente como limpeza mental combina muito bem com o esquema bandas indies e divas pop. Ouço muito esse tipo de música no dia a dia, variando o artista conforme meu humor. Nada Surf é ótimo para as manhãs, Jeff Pianki para enxergar a cidade metaforicamente e Regina Spektor para toda e qualquer situação, porque ela é uma deusa soberana. Fico muito presa à essa bolha internacional enquanto estou ocupada demais com a rotina. Os artistas nacionais que ouço com maior frequência são bem mais novos e alguns até cantam em inglês, como o Tiago Iorc. De vez em quando, porém, acontece um alinhamento de chakras em mim e eu sinto saudade de músicas bem mais antigas e que exigem um estado de espírito muito específico.
Samba, bossa nova e relacionados sempre me lembram de casa. Casa mesmo, a da minha mãe. As lembranças de infância e adolescência que tenho são todas muito musicais; eu costumava avaliar o humor da minha mãe de acordo com o que ela ouvia. Na nossa coleção tinha um CD da Adriana Calcanhoto que toda vez que tocava, eu sabia que encontraria mamãe triste jogada no sofá. Uma vez ela ganhou um CD personalizado do Roberto Carlos que só era ouvido quando recebíamos visitas (o que em retrospecto parece um erro de hospitalidade). Tinha também alguns que eu reprovava, mas que sempre indicavam bom humor e disposição. Bossa nova mamãe só tocava quando queria me convidar pra passar tempo com ela. Samba era a música oficial do domingo de manhã, MPB a da tarde.
Todo domingo eu acordava com música alta enchendo meu quarto. Se não fosse lá em casa, era de algum vizinho, incluindo meus avós. De qualquer forma, era quase sempre samba. Teve a época da Alcione, a dos grupos de pagode modernos, a do Arlindo Cruz. Até uma certa idade eu fazia questão de me diferenciar disso tudo ouvindo só bandas obscuras e internacionais, mas depois comecei a me abrir mais a um tipo de música que sempre esteve ao meu redor. As festas da minha família sempre foram cheias de MPB, samba e tudo que de brasileiro você pode pensar. Até Bebeto, que era sempre no fim da festa, acompanhado da Seresta do meu pai (naquela meeeesa tá faltando eeeeele e a saudade deeeele…)
Hoje eu acordei com saudade de casa, do barulho, da movimentação contínua. Lembrei da minha mãe colocando Drão pra tocar só pra me agradar, porque é a nossa música. Senti falta de provar alguma sobremesa nova que ela fez e deu errado (sempre dava errado). De sair do quarto descabelada só pra dar de cara com alguma visita inesperada e ter minhas manhãs preenchidas pelos sons familiares de casa. Aí eu fiz essa mixtape e sambei sozinha mesmo, esperando pelo próximo feriado.
A inclusão da Mallu Magalhães foi completamente arbitrária

1 Baby – Gal Costa
2 Na Cadência do Samba – Novos Baianos
3 Drão – Gilberto Gil
4 Samba da Minha Terra – Dorival Caymmi
5 Chão de Giz – Zé Ramalho
6 Foi um Rio Que Passou em Minha Vida – Teresa Cristina
7 Balança Pema – Marisa Monte
8 Telegrama – Zeca Baleiro
9 Vou Festejar – Beth Carvalho
10 A Menina Dança – Novos Baianos
11 Canto de Ossanha – Casuarina
12 Conto de Areia – Clara Nunes
13 Madalena – Elis Regina
14 Preciso me encontrar – Cartola
15 A Minha Menina – Jorge Ben Jor
16 Coisa Mais Linda – Roberta Sá
17 Sambinha Bom – Mallu Magalhães
18 Um Dia de Domingo – Gal Costa
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