Emma Morley, me dá a mão – BEDA #19

Eu sei que nenhuma paixão pode durar pra sempre, que ela pode se transformar em um amor calmo e maduro e todo esse papo. Não esperava mesmo que a relação fosse sempre a mesma, com épocas de um encanto sobrenatural e outras do choro desesperado que só mesmo uma paixão avassaladora pode provocar. Tudo bem que já passou muito tempo e eu já vinha percebendo uma mudança negativa. Mas sabe como é, fui fingindo que não percebia, que tudo ficaria bem. Não ficou. A coisa deteriorou e agora, quase no fim da décima temporada, me pego desejando que Grey’s Anatomy acabe logo e me poupe a dor de desistir sozinha da série.
Por vezes, depois de um episódio desses que a Shonda anda nos proporcionando, me pego questionando quanto amor próprio eu tenho. Porque pra continuar assistindo a uma série que perdeu parte significativa do elenco, descaracterizou personagens, matou todo mundo e já não tem nenhum enredo interessante, só tendo pouquíssimo respeito próprio. Nem sequer a trilha sonora proporciona a mesma carga emocional de antes. Não está fácil. 
(A partir daqui é só spoiler da quinta, sexta e oitava temporadas)
Primeiro, é aquela velha história de all my friends are dead. É compreensível que, numa série tão longa, um ou outro personagem morra, já que os atores acabam saindo. Mas era realmente necessário matar TODOS? Aliás, todos com os quais a audiência se importava; matar George (NUNCA VOU TE PERDOAR, SHONDANÁS), Lexie e Mark tudo bem, mas vamos deixar o Burke e a Teddy vivos e fingir que eles nunca existiram. Não satisfeira em matar personagens que todos amavam, ela decidiu matá-los da maneira mais trágica possível. Qual é a probabilidade de um mesmo grupo de amigos ser destruído por um atropelamento de ônibus, um tiroteio dentro de hospital e um fucking desastre de avião? Eu sei que é ficção, mas será que ela já ouviu falar em verossimilhança ou qualquer coisa do tipo? Pior que já, porque as primeiras temporadas eram tão boas! 
Meus exatos sentimentos pfvr
Talvez eu não seja a melhor pessoa pra criticar Grey’s agora, já que as primeiras temporadas eram as minhas preferidas. Meredith dark and twisty era puro amor, todos vivendo juntos sem saber o que fazer com a vida bagunçada era a graça do programa. Isso sim era drama. Como era bom terminar os episódios com as quotes da Mer sempre envolvendo sobreviver a dores inimagináveis. Era Grey’s in its finest. Entendo que os personagens amadureceram, resolveram suas pendências e tal, mas vamos admitir, se um personagem já se desenvolveu ao máximo, qual é o objetivo de continuar seguindo a vida dele? Nenhum, e por isso todas essas histórias sem sal ou repetidas que aconteceram nas últimas duas temporadas (pelo menos). Yang dividida entre carreira e amor? Já vimos isso antes. Meredith e Derek brigando pra dividir o tempo entre carreira e família? Chato. Meredith e Yang sem se falar? NUNCA MAIS FAÇA ALGO PARECIDO, SHONDA. She’s her person, você sabe disso.
Em algum ponto, parece que a essência do programa se perdeu. Talvez junto com o desenvolvimento dos personagens, porque eles ficaram todos tão sem graça que já não me importo. Tudo começou com a primeira morte. George foi apagado por uma temporada inteira até morrer, e aí dois personagens choraram por dois episódios e ninguém mais lembrava dele. Com a Lexie foi ainda pior, a própria irmã não deu a mínima pra morte dela. Fiquei com a sensação de que a única pessoa de luto ali era a Callie, mas aquela ali foi feita pra sofrer mesmo. Ok matar todo mundo, mas precisa também fingir que eles nunca existiram? Isso ajudou os personagens ainda vivos a ficarem frios, cada um isolado no seu próprio drama. Hoje não reconheço mais a Meredith, a Bailey e vários outros. Não tem como fazer uma série dar certo se as únicas relações desenvolvidas nela são as românticas.
Digo isso tudo enquanto baixo o episódio dessa semana. Não é fácil deixar pra lá uma série que já foi uma das suas preferidas, que já te fez chorar como uma criança e já definiu seus sentimentos melhor do que você. Mas quando estou assistindo ao que Grey’s se tornou e de repente percebo que estou também conversando com cinco pessoas ao mesmo tempo e nem sequer me importo, lembro da Emma. Emma Morley, aquela de One Day, que viveu anos esperando o Dexter se tocar de que entre eles dois tinha algo a mais. Em uma das melhores passagens do livro/filme, Dexter está agindo como o grande babaca que é até que ela vira pra ele e diz “I love you, Dex, so much. I just don’t like you anymore”. Emma, amiga, vamos seguir em frente porque esse apego não é saudável e a gente merece mais.
Lexie (eu) antes de desistir e ver Parks & Rec
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