Sobre livros (de novo)

A essa altura todo mundo já viu o meme literário que andou pela blogosfera essa semana. Fui indicada pela Analu e decidi responder porque provavelmente ela me mata se eu não responder mais um meme é sempre bom ter uma desculpa pra falar sobre livros. O meme é, na verdade, uma TAG criada pela Ines, do canal InesBooks.
1. Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)
Até hoje não conheci ninguém que não tivesse gostado de Capitães da Areia, ainda bem. É um livro maravilhoso em todos os sentidos, desde o engajamento até o sentimento que provoca. Tudo nele é de aplaudir de pé. Indico pra toda e qualquer pessoa, sem receios.

2. Maldito Plágio (um livro que gostaríamos de ter escrito)
Fiquei preocupada com a lista de títulos que me vieram à cabeça nessa categoria. Sou absolutamente fascinada pelo que Jeffrey Eugenides fez em As Virgens Suicidas, toda aquela atmosfera embriagadora. Queria ter pensado nisso antes. Mas pensando bem, o livro que queria mesmo ter escrito é As Vantagens de Ser Invisível. Stephen Chbosky escreveu uma história linda e duradoura sim, mas o que mas me faz amar esse livro é a sensibilidade infinita e a capacidade de despertar a sensibilidade nos outros. É isso que eu mais admiro em livros (e pessoas).

3. Não vale a pena abater árvores por causa disto

Achei essa categoria um pouco forte. Talvez eu seja muito boazinha com livros, mas só um livro realmente problemático e ruim pra ganhar esse título. Procurei entre aqueles com os quais tenho uma forte relação de ódio, mas tive repetidamente a sensação de “não é você, sou eu”. Só mesmo com Como Ser Popular, da pra-sempre-lugar-cativo-no-coração Meg Cabot, consegue me fazer pensar que as árvores valem mais. Meg Cabot é uma das maiores responsáveis pelo meu amor aos livros, mas muitas vezes ela passa dos limites do ridículo e essa foi uma delas. Personagens horríveis, enredo horrível, tudo tão horrível que tenho até pena de mim mesma por ter lido até o fim. Desculpa, Meg. Se bem que ela é quem deveria pedir desculpas por isso.
4. Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)
Ontem mesmo pensei em como tenho pouca base pra apreciar Luuanda como se deve. Livro de contos do angolano José Luandino Vieira, Luuanda contém histórias muito fortes e muito poderosas historicamente. Acontece que eu não sei nada sobre a história angolana e, além disso, acabei me perdendo na mistura dialetal que o autor usa. Mas tudo bem, já sei qual matéria de Literaturas Africanas devo fazer pra mudar essa minha realidade e em breve tento de novo.
5. Eu tentei… (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)
Não tenho muito pudor ao abandonar livros. Quando a coisa não funciona, deixo de lado antes que uma birra muito grande se instale. O resultado disso é que já abandonei vários livros na vida e a maioria deles não pretendo tentar ler novamente. Mulher Perdigueira, do Fabrício Carpinejar, é um deles. Tentei até certo ponto, mas não gostava do estilo do autor, os temas não me chamavam atenção e no final já estava tendo discussões cheias de má vontade com o livro. Hoje só de pensar nele me dá calafrios.


6. Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro que teve um final surpreendente)
Pensei em escolher algum bem what the fuck pra poder gongar, mas acabei lembrando de um livro sensacional que foi uma das minhas maiores surpresas até hoje. O Assassino Cego começa tão lento que dá vontade de desistir, até porque não é um livro pequeno. Você não precisa esperar o final pra ficar “hã?” porque são tantas narrativas paralelas que é meio complicado entender o que está acontecendo. As reações são basicamente “Hã? oi? o que tá acontecendo? Hum. Ah. Acho que enten… WHAT WAIT OMFG MENTIRA NÃO ACREDITO!”. Sério, leiam. 


7. Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)
Só de lembrar da delícia que foi ler Barba Ensopada de Sangue sinto uma vontade imensa de esquecer meus livros não lidos e me dedicas só a releituras. Realmente não esperava uma leitura tão boa de um livro com um título desses. O enredo é simples como a vida que o personagem escolhe levar, mas o desenvolvimento dele é tão impressionante que se torna um livro inesquecível. 
8. Entre livros e tachos (um personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)
Graças a essa categoria acabei de descobrir que falta comida nos meus livros. Só existem dois personagens capazes de cozinhar pra mim e eles são justamente os dois mais óbvios: Molly Weasley e Peeta Mellark. Dois amorzinhos, pessoas abraçáveis e que pra completar sabem fazer comida como ninguém. Molly que me perdoe, mas eu escolheria o Peeta porque além de saber fazer pão (!!!!) ele ainda é o personagem com o melhor coração do mundo. Sério, o cara é muito legal. E sabe fazer pão doce.
9. Fast Foward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)
A única vez em que soube de uma graça contada por um professor da História lá na faculdade foi quando ele apelidou esse livro carinhosamente de A Insuportável Leveza do Ser. E olha, bota unbearable nisso. Não sei se o pior é a chatice ou a grande sensação que perpassa todo o livro de “preste atenção nisso porque esse autor é muito inteligente. Gostei bem mais do Kundera nos contos, em que ele consegue dizer a que veio sem as milhares de divagações filosóficas bastante constrangedoras. Sei que muita gente ama esse livro, mas não consigo sentir o mesmo pelas várias páginas de pretensão dele.

10. Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Mesmo que a Tary não tivesse feito propaganda dele, em algum momento da vida eu teria me deparado com esse livro e seria amor à primeira vista. Porque não é possível não amar um livro chamado Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. Tive um medo enorme de me decepcionar, porque o título e a primeira página prometem muito. Ainda bem que cumprem tudo da melhor maneira possível, uma história de um amor meio louco e meio trágico que te faz torcer por eles até o final, quando tudo já deu errado como você sabia que daria. Tá aí um livro bonito. Aliás, Marçal Aquino é ótimo em me conquistar pelo título (Famílias Terrivelmente Felizes manda lembranças da pilha de futuras leituras).

11. O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)
Decidi inserir aqui um momento em memória da minha formação literária, quando eu ainda não sabia que aquelas capas eram feias. Posso escolher todos os livros do Pedro Bandeira? Hoje olho pra trás e sinto pena da Milena criança, andando pra lá e pra cá com livros cuja capa envolvia pedaços de rostos que oscilavam entre o desenho e a fotografia, com montagens que até eu consigo fazer melhor. Não vamos nem comentar que todas as edições de A Marca de Uma Lágrima são horríveis e envolvem uma menina chorando, porque é muito difícil pensar em algo menos óbvio. Pedrinho merece mais, gente.
12. Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)
Um livro que me faz gargalhar no meio de um aeroporto lotado em pleno carnaval merece menção honrosa. Nada Dramática, da Dayse Dantas, é o livro adolescente que eu precisava na minha adolescência e não tive. Eu lia algumas páginas e era obrigada a parar pra mandar mensagem pra todas as pessoas dizendo “VOCÊ PRECISA DE NADA DRAMÁTICA NA SUA VIDA”, em maiúsculas mesmo porque esse é um elemento importante no livro. Existe uma cena envolvendo o Sidney Magal e isso é tudo que vocês precisam saber pra ler isso logo.
13. Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)
Mais um roubo e mais uma resposta óbvia, mas essa era uma das minhas únicas opções já que percebi que os livros que mais me fazem chorar são os que eu menos gosto (com exceções ainda mais óbvias como TFiOS e Extraordinário). Harry Potter e a Ordem da Fênix é um livro muito triste e eu não estava preparada pra tanta tristeza aos 14 anos. O Sirius representava toda uma chance de ter uma família pro Harry e vice-versa. O que eu chorei quando isso tudo acabou não deve ser normal.

14. Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Minha resposta automática seria The Fault in Our Stars, graças ao autógrafo do John Green para o qual, confesso, às vezes olho em busca de conforto. Não me julguem, é uma questão muito sentimental. Acontece que resolvi esse problema: tenho pelo menos três exemplares do livro. Tem o autografado que não empresto, o que li originalmente com infinitas flags e o traduzido para o caso de amigos que não leem em inglês. Toda loucura deve ser perdoada. Pensando bem em qual livro realmente não emprestaria, cheguei à conclusão de que somente os mais pessoais me causam um ciúme tão louco. No caso, The Bell Jar e Os Diários de Sylvia Plath. Sylvinha é um grande problema e uma grande solução na minha vida. A identificação com tudo que ela escreve me impede de simplesmente entregar esses livros a outra pessoa. Chega a dar a sensação ridícula que estaria dando um pedaço de mim mesma. O apego gente, ele é perigoso.

15. Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

Difícil escolher só um enquanto tenho uma estante inteira de não lidos, mas nesse caso existe um calhamaço que se sobressai. Ele me encara enquanto tento dormir e é a primeira coisa que eu vejo quando levanto por causa da capa colorida e porque ele tem mais de mil fucking páginas pelo amor de deus. Infinite Jest, do David Foster Wallace, parecia ser uma urgência na minha vida. Comprei, ansiei pela chegada e quando finalmente pus as mãos nele… percebi que não era hora. É um livro absolutamente intimidador, tanto pelo tamanho quanto pela densidade. O pior, talvez, seja o fato de que em todos os lugares as pessoas estão anunciando o quanto ele é difícil. Mas já ensaiei a leitura várias vezes e tenho esperanças de um dia terminar.
Minhas indicações pra responder o meme são Char, Debs, LuísaDuda e Lorena (pra obrigá-la a postar de novo).