I am Titanium

Pouca coisa na vida é coincidência. Na maioria das vezes os fatos, sentimentos e desentendimentos se ligam numa cadeia complicada e possivelmente dolorosa. Do mesmo jeito, não é coincidência eu ter parado de escrever, fechado o blog e mantido um silêncio aparentemente sem motivo justamente na época em que começava uma nova fase da vida. 
Eu tenho quase 20 anos e isso não é nada, mas uma lição eu aprendi direitinho: você não pode fugir de quem você é. Um cara muito especial se apaixonou pela esposa no momento em que ela disse que imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia, e apesar de repetirmos isso para os nossos amigos ou quem sabe pra nós mesmos num mantra infinito que tenta se apegar ao presente, todos nós nos apegamos ao que está por vir na esperança de que seja melhor do que o hoje. Alguns mais, outros menos. Eu sempre fui do primeiro grupo, e mesmo sabendo toda a teoria, não consigo me desvencilhar do simples ato de imaginar o futuro e de toda a nostalgia que isso envolve. A maior auto-descoberta que fiz foi quando aprendi que a crença de que o que virá será melhor é baseada em uma crença bem mais perigosa: eu acho que amanhã será um novo dia porque tenho certeza de que amanhã eu serei uma nova pessoa. 
Quero um futuro com mais histórias, com mais amor, com menos dor de cotovelo. Eu juro que daqui a alguns anos vou ter viajado metade do mundo, colecionado amigos, criado mais, escrito um livro, aprendido a tocar piano, feito tudo que eu queria fazer e mais um pouco só por garantia. Mas eu só acho isso porque, no fundo, imagino alguém diferente de mim lá na frente. Alguém mais corajosa, mais disposta, mais criativa. A verdade é que o eu do futuro é sempre um espírito mais livre do que eu realmente sou. Por isso o futuro vive me decepcionando, e eu desconfio que não seja somente a mim. 
São esses momentos que se conectam à cadeia de complicações da vida e criam situações que nada têm a ver com coincidência. Algo me faz acreditar que eu não sou a única a tentar se modificar porque aparentemente estava escrito em algum lugar como alguém deveria ser para ser feliz. E eu tentei, às vezes ainda tento. Eu sempre faço um plano mental de onde e como eu devo mudar para chegar em um caminho mais fácil rumo ao que chamam de felicidade. Agora, tão perto da idade mística dos 20 anos – idade que eu tinha certeza que esconderia um eu mais sábio, bem-resolvido e livre de neuras -, eu finalmente posso dizer que cansei de tentar mudar. 
O mundo é sim um lugar difícil, as pessoas vivem tentando colocar as outras pra baixo. Eu relutava muito em aceitar isso porque parecia infantilidade achar que alguém se preocupava o suficiente comigo para querer me ver mal. A verdade é que ninguém precisa querer te ver mal para te deixar mal. Ninguém precisa se sentir ofendido pelo seu jeito de ser para diminuí-lo, e infelizmente, a maioria dos desentendimentos e mágoas da tal cadeia da vida são motivados por desinteresse e descuido. Então, pra quê mudar? Pra quê se esforçar pra ser um pouco mais como acham que você deveria ser e ter em mente um futuro sempre inalcançável quando você pode ser bem feliz aproveitando quem já é?
Eu nunca gostei de música eletrônica, nunca sequer parei para ouvir. Mas minhas amigas, que já falaram tão bem sobre sentimentos tão parecidos com o meu, me apresentaram um segundo olhar sobre uma música que eu ouvia sem escutar. Uma segunda chance, porque nas primeiras eu costumo ser tão desinteressada e descuidada quanto o resto do mundo. Agora essa música se junta ao que o tal cara muito especial falou sobre futuro e nostalgia, num mantra que eu repito sempre pra lembrar que não preciso me calar diante de nada na vida. Eu posso falar, escrever e viver sendo exatamente quem eu sou. Porque, bem, eu gosto dessa pessoa. And she’s titanium.
Anúncios