A Culpa é das Estrelas

Destino é algo em que eu sempre acreditei. Não aquele destino todo escrito, onde nenhuma escolha faz diferença alguma, mas sim algum lugar onde você deve ir, algo que você deve fazer ou alguém que você deve conhecer. Nunca quis um destino que justificasse meus erros ou fracassos, apenas sentia que algumas escolhas certas me levaram a lugares certos, onde eu poderia me tornar uma versão melhor de mim. Nesse caso, lugares não são somente físicos. Lugares são tudo aquilo de certo a que eu sou levada pelas estrelas. Estrelas, porque um dia um cara admirável questionou Shakespeare e disse que elas têm muita culpa a carregar.
A questão hoje não são os erros das estrelas – ou destino, como queiram. A questão hoje é que elas sabem fazer coisas certas e, por que não, mágicas. Pessoas se conhecem todos os dias, pessoas se acostumam umas com as outras e a amizade nasce daí na maioria das vezes. Mas a mágica acontece mesmo naquele momento que quase nunca vem. Aquela hora em que você conhece uma pessoa, ou algumas, que mudam sua vida e te fazem ter certeza que a vida é mesmo a arte do encontro.
Ninguém é só riso, muito menos só densidade emocional. Isso eu aprendi com alguém que nasceu lá em cima, num Maranhão que eu imagino cheio de praias paradisíacas que são o cenário de quando menina Deyse resolve pensar na vida. E olha, ela deve fazer muito isso. Ela consegue ser a medida exata de graça e comédia e aquele silêncio que fala o quanto a gente já passou na vida. Ela é aquela que vai te fazer rir até não respirar mais e chorar sem conseguir parar depois do “até logo” que nunca soará como adeus.
Deyse é aquela que eu chamo de Dedê por carinho e por não conceber a sílaba tônica correta. Ela tem risada de criança e quando você olha pela primeira vez duvida ser possível abrigar alguém tão bonito e especial num corpo tão pequeno. Ela parece quase tímida, mas de repente ela te empurra porque ela ganhou um par de óculos novos e você não pode ficar do lado dela assim sem nada (NEVER FORGET). Dedê, que vai engrandecendo aos poucos, só precisa ficar ao seu lado tempo suficiente. É alguém como ela que te faz acreditar na arte do encontro e é alguém como ela que te faz agradecer às estrelas, se elas forem mesmo responsáveis.
Hoje é o dia certo para agradecer a toda e qualquer culpa que as estrelas carreguem. Se nem tudo que elas fazem é certo, a existência dela é mais que certa, é fundamental. Quanto ao nosso encontro, só posso acreditar que eu seja mesmo muito sortuda por estar destinada a ele. Mas não há muito tempo para agradecer, é preciso deixar claro que as estrelas ainda têm muito trabalho pela frente. Precisam garantir que tudo que ela veja daqui pra frente seja gentil. Não porque ela não seja forte para superar o que não for, mas porque merece o mundo sempre melhor e mais disposto a abarcar o turbilhão de emoções que vem com ela. Precisam acalmá-la quando o medo bater, permitir que ela realize seus sonhos e colocar um sorriso bobo no rosto dela todas as noites.
Querida amiga, já são mais de vinte anos, alguns metros cúbicos de lágrimas a mais e você continua tentando fazer a coisa certa. Quando bater qualquer tipo de angústia ou certeza de que as coisas não andam como deveriam, tenha a certeza que até agora você fez mais do que qualquer um faria. Por isso deseje o que estiver longe sem medo de se decepcionar. Você é a melhor versão que poderia ser de você, a melhor versão que alguém poderia imaginar.
Do nosso amor, a gente é quem sabe, pequena. (Das letras que valem sempre)
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