Como se fosse 2006 de novo

Lá pros idos de 2006, quando eu era a orgulhosa proprietária de um blog bem ruim que ninguém lia, eu tinha a mania feia de ficar semanas sem postar. Claro que em nome da educação que mamãe me deu, sempre que eu voltava a escrever (e a selecionar os melhores gifs bregas da internet) começava pedindo desculpas. Eu não me importava com o fato de que ninguém se importava com o meu blog. Eu nem sequer parava pra pensar que ninguém sabia da existência dele. Era realmente importante pedir desculpas por não produzir nada durante tanto tempo e me envolver em promessas vãs de que isso jamais se repetiria.

Sejamos sinceros: já é 2012, o suposto fim do mundo está chegando, nenhum de vocês ficou sem dormir porque eu não atualizei o blog durante… quase dois meses? Muito menos eu, que estava ocupada me privando de sono pra tentar terminar o NaNoWriMo. (Falhei miseravelmente, just for the record) Acontece que durante esse tempo eu fiquei pensando o quanto (e se) o blog ainda é importante pra mim. Por que mesmo eu comecei a publicar o que passa pela minha cabeça?
A verdade é que em 2010, quando eu mandei meu finado e querido Listras Coloridas pro espaço vazio da não-existência cibernética, eu pouco me importava com a qualidade do que escrevia. Na maioria das vezes os textos eram bem confusos e cheios de detalhes que só eu seria capaz de entender, porque os textos eram feitos por mim e para mim. Não que agora eu tenha uma visitação diária grande nem nada, é só que eu me importo. Não consigo mais escrever qualquer coisa sem nexo e deixar aqui pra que vocês tenham que tirar sangue de pedra pra comentar. Nós crescemos e ficamos mais críticos com nós mesmos. Isso é bom, o mundo não precisa de mais coisas ruins. Só que a autocrítica exagerada pode ter efeitos colaterais muito sérios, como por exemplo fazer você não aproveitar nada que produz por não achar bom o suficiente.

A missão agora é tentar equilibrar a autocrítica e o meu “FILDI” (Fuck It, Let’s Do It – ou o mecanismo que te faz realizar alguma coisa sem pensar demais sobre ela antes e assim acabar não fazendo nada). Ainda não encontrei o motivo de eu ainda querer publicar o que escrevo aqui e, mais do que isso, me empenhar em escrever algo específico pra cá. Ando apostando na simples importância de dizer algo que você sente que deve ser dito. Nada de diálogos sem pé nem cabeça, mas precisamos deixar passar um ocasional post sobre nada em particular que se assemelha perigosamente com aqueles de 2006. Pelo menos nos livramos dos gifs com glitter. 

Ze Frank é um gênio