Dois em um [25/29]

– Espera. – Helena me soltou do abraço. – Tem alguma coisa errada com você, Diana.
Quando você é um Zumbot, tudo parece um pouco distante. A voz de Helena só poderia ter saído de uma televisão, algo tão real quanto eu me sentia naquele momento.

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Passei um longo período da minha vida-Zumbot me questionando se eu era Diana ou Lenina. Quem eram essas duas, afinal de contas? Fiquei perdida tentando encontrar uma identidade que não era sequer humana, e por isso Alex permaneceu apenas como um sussurro em algum lugar que eu já não sabia se era dentro de mim.
Lenina Crowe emitia um som que ecoava na minha cabeça e soava aos meus ouvidos como o grito de algum tipo de animal selvagem. Seriam as emoções? Demorei a perceber que era apenas o ruído estático do Zumbot em que eu havia me transformado. Lenina não tinha anseios ou emoções, se alimentava do amor que eu continuei recebendo de todos ao meu redor. Um fato, no entanto, é curioso: Lenina partilhava das minhas memórias. Tudo que eu vivera até o dia em que Dr. Oliver me transformou permaneceu. Por isso Lenina carregava a memória de Alex todos os dias. Ele se tornou um dado não processado e frequentemente ela tentava compreender o quão Zumbot ele era e se ainda estaria ativo.
Diana era o passado. A pessoa que conhecera a amizade e o amor de uma forma que o robô Lenina jamais poderia. Eu pensava que Diana havia morrido no exato momento em que a substância do Dr. Oliver entrou nas minhas veias. Pensava que cada pensamento que eu tinha vinha de Lenina. Hoje eu sei que Diana continuava ali.
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– ELES TE TRANSFORMARAM! – Alice gritou enquanto Helena ainda me olhava com cara de desconfiança. Depois do grito, as três começaram a fazer caras de espanto e eu as encarei friamente.
– Sim, eu sou um Zumbot agora. Ainda estou na dúvida quanto ao meu nome. Mas acho que Diana não se aplica mais. Diana morreu.
As três estavam chorando agora. Estranhamente, nenhuma delas se afastava do meu corpo robótico. De repente, Helena veio na minha direção secando as lágrimas:
– Cala a boca, Diana! Se você acha que nós vamos deixar você se perder dentro do monte de sei lá o que do qual você é feita agora, você esteve dormindo todos esses anos. 
– É, Diana. Nós ainda estamos aqui – Clarice dizia isso enquanto as três me abraçavam novamente e eu sentia o frio dentro de mim cada vez menor.
Foi assim que eu comecei a dar adeus à Lenina Crowe. Depois, claro, veio o Alex.

Não, eu ainda não virei uma mistura de Douglas Adams com Doctor Who. Essa é a parte 25 do conto comemorativo de aniversário da Máfia. Estamos na reta final e a continuação você pode ler amanhã no Mundo Efêmero, da Kamilla. Se você ainda não conhece a história da Diana e do Alex, é só começar: