Retrospectiva – parte 2 ou Aquele dos Livros

Esse foi um ano de ótimas leituras. Somando quase oito meses de nada pra fazer a uma estante abarrotada, consegui ler coisas muito boas e muito ruins. Que fique bem claro que essa é a premiação mais esperada do ano.
Lidos em 2011
 Comer, Rezar, Amar (Elizabeth Gilbert); O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder);  A Mulher do Viajante no Tempo (Audrey Niffenegger); Eu Conheci Lennon (Jerry Levitan);  Pão de Mel  (Rachel Cohn);  Siri (Rachel Cohn); Eu sou o Mensageiro (Markus Zuzak ); Contos de amor rasgados  (Marina Colasanti); Os Sofrimentos do Jovem Werther (Goethe); On The Road (Jack Kerouac ); Quando cai o raio (Meg Cabot); Trem-bala (Martha Medeiros); A Revolução dos Bichos (George Orwell); O Maravilhoso Mágico de Oz (Lyman Frank Baum); Assassinato no Expresso do Oriente  (Agatha Christie);  A Long Way Down (Nick Hornby); One Day (David Nicholls); Quem é você, Alasca? (John Green); Paper Towns (John Green); Anna e o Beijo Francês (Stephanie Perkins); Dash & Lily’s Book of Dares (Rachel Cohn & David Levithan); Pequenas Epifanias (Caio Fernando Abreu);  Will Grayson, Will Grayson (John Green & David Levithan); Por parte de Pai (Bartolomeu Campos de Queiróz); Dom Casmurro (Machado de Assis); Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel Garcia Márquez); Risíveis Amores (Milan Kundera); Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley
Favoritos – Reli 
O casal mais apaixonante
Dex & Em, de One Day. Eu pensei, por um segundo, em escolher Clare & Henry (A Mulher do Viajante no Tempo). Eles são uma gracinha, passam por situações realmente difícieis, desafiam tempo e morte e mais vários lugares comuns que eu aprovo. Mas Dex & Em fazem valer o título “mais apaixonante”. Dexter é um idiota a maior parte do livro, eu senti vontade de colocá-lo numa câmara de tortura às vezes (drama, a gente vê por aqui). Apesar de tudo, eles são aquele casal que você sente que conhece, pro qual você torce, o mais encantador.
 Virei a noite lendo
A Revolução dos Bichos – Pra ser sincera, acho que virei noites lendo quase todos os livros da lista. Some insônia a falta de horário e terá uma pessoa que vive nas madrugadas. Mas se é pra nomear um livro impossível de largar, Revolução dos Bichos ganha facilmente. GENIAL, GENIAL, GENIAL. Todo meu amor ao Orwell. 
Chorei de soluçar
A Mulher do Viajante no Tempo – As duas cenas finais, meu deus. É uma história de amor (ser menininha no Brasil dá certo) linda, bem construída e emocionante. Preparem caixas de lenço.
Decepção do ano
Will Grayson, Will Grayson – Tudo que cria expectativa tende à decepção. Foi em 2011 que John Green nasceu pra mim, e com ele, uma imensa expectativa pra tudo que ele escreveu. Eu comecei Will Grayson acreditando que ia ter uma mensagem ali no meio, como o John sempre faz. E ele tenta muito. Mas a parte do David Levithan é tão chata que acaba contagiando o livro inteiro. No final, senti que eram mais de 300 páginas sobre nada. Nada mesmo, só dois adolescentes socialmente deslocados com o mesmo nome. Desculpa John, mas esse não desceu.
Livro irrelevante do ano
Anna e o Beijo Francês – Mais uma vez a expectativa frustrou tudo. Fiquei o livro inteiro procurando a beleza que todo mundo falava e não encontrei nada. Não é um livro ruim, é bonitinho, engraçadinho, não é tão batido quanto os outros livros do gênero. Mas minha vida seria a mesma se eu tivesse pulado.
Grifei
O Mundo de Sofia – Grifei muitos livros esse ano, mas esse foi especial. Bordas lotadas de comentários, rabiscos em todas as páginas, folha de rosto com anotações. Achei o livro tão bom que depois usei essas anotações e marcações pra dar uma força no estudo sobre Aristóteles pra faculdade. Deu certo, gente.
O pior livro de 2011 (vulgo, o mais chato)
Contos de amor rasgados – Cada conto foi uma tortura. Achei tudo muito pedante, uma linguagem que até era bonita, mas que se tornava metafórica demais. O pior: eram umas metáforas muito mal feitas. O conto acabava e eu ficava “HÃ? Sério?”. Só de abrir o livro eu sentia dor de cabeça.
Abandonei
Minha Guerra Alheia – Não me venham com Marina Colasanti. Nunca mais.
Soco no estômago
Admirável Mundo Novo – Eu e meu caso de amor com esse livro. É incrível a construção que o Huxley faz da sociedade futurística, e mais incrível ainda é perceber as semelhanças dela com a nossa sociedade. Os personagens são caricaturas muito bem feitas dos homens que nos tornamos. Enfim, não é aclamado à toa.
Morri de rir
Quando cai o raio – Foi minha reconciliação com a Meg. Depois de alguns livros achando que eu já estava velha demais pra ela, consegui redescobrir o porquê dela ser a autora com mais títulos na minha estante. Close na honra.
Aventura, fantasia ou infanto-juvenil
Fazendo meu Filme – Tinha tudo pra ser decepção, mas não foi. Queria ler esse livro há pelo menos um ano, mas nunca tive a oportunidade. Até que comecei o livro e PAM, cadê a Milena de 14 anos que iria gostar disso? Passei umas páginas com má vontade, achando a Fani uma tapada e o livro uma grande perda de tempo. Mas aí eu percebi que era só a minha rabugice me controlando, porque no fundo, é um livro bonito. Não um bonito a lá Garcia Márquez, mas um bonito pra meninas de 14 anos que só lêem Meg Cabot e gostam de comédias românticas. Com certeza o meu eu mais inocente, crédulo e fofo iria se deliciar com as referências aos filmes e às músicas. Então eu transformei essa leitura numa viagem ao passado e, mais que isso, num diálogo com que eu fui. Indico a experiência.
Bate bola de personagens
Personagem masculino mais apaixonante: Dash, de Dash and Lily’s Book of Dares.
Personagem feminina que eu queria ser: Capitu. Joguem pedras, mas ela é muito diva. E tendo em vista que eu não vou, de fato, ser a Capitu, isso é apenas uma situação hipotética. Numa situação hipotética eu tenho olhos de cigana, ok? Me deixem aqui sendo feliz.
Personagem mais chato: will grayson. Que os deuses da literatura me protejam de encontrar um personagem tão insuportável quanto o will grayson (com letras minúsculas mesmo) que o Levithan criou. Ele passa o livro todo odiando tudo, todos, tudo o que dizem, tudo o que fazem. E AH! Ele não tem motivos pra isso. Um porre que até ressaca me rendeu.
Personagem mais perturbador: Napoleão, de A Revolução do Bichos, e Bernard Marx, de Admirável Mundo Novo. Ambos se tornaram perturbadores pra mim porque mostram características humanas muito nocivas, e muito presentes. O primeiro, um porco ambicioso que se transforma num ditador e representa Stálin. O segundo, um homem que, por algum motivo, escapa do condicionamento perfeito e questiona os valores degradados de uma sociedade futurística, mas movido pelo sentimento de rejeição, se corrompe facilmente por uma possível aceitação de seus companheiros. Você tem visto muitos deles por aí?
Personagem que mais me identifiquei: Emma, de One Day e Dorothy, de O Mágico de Oz.
Quote do ano 
Inseri essa categoria porque sou abusada porque queria ter a oportunidade de mostrar essas preciosidades pra vocês.
“Faz-me lembrar outro desses antigos, chamado Bradley. Ele definia a filosofia como a arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê por instinto. Como se nós acreditássemos em alguma coisa, seja o que for, por instinto! Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas. A arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê por outras más razões, isto é a filosofia”. – Admirável Mundo Novo
“Se você teima em lhe dizer [ao mundo] a verdade de frente, isso significa que você o leva a sério. E levar a sério algo tão pouco sério é perder, você mesmo, toda a seriedade”. – Risíveis Amores
“Levava a mala de roupa para ficar e outra mala igual com quase duas mil cartas que ela lhe escrevera. Estavam ordenadas por suas datas, em pacotes amarrados com fitas coloridas, e todas sem abrir”. – Crônica de uma Morte Anunciada
O melhor livro de 2011
Nessa categoria eu fujo correndo pras montanhas. É praticamente impossível escolher um único livro, mas com um peso no coração enorme por deixar de fora uma das histórias mais originais dos últimos tempos, a linguagem seca e ao mesmo tempo poética do Garcia Márquez e a genialidade absurda do Orwell, eu nomeio Alasca. Looking for Alaska (porque não engulo muito esse título em português) NÃO É SÓ MAIS UM. John Green passa por temas profundos com muita facilidade e de uma forma acessível. É um livro cheio de mensagens, cheio de desafios ao raciocínio. É instigante e divertido. É uma boa justificativa pra um Young Adults ganhar de nomes consagrados da literatura.
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