Expectations X Reality

A sensação de estar novamente sozinha com a folha de papel é desconcertante. Passei semanas, meses trancando todos os sentimentos bem lá dentro. Fugindo de mim, com medo de me enxergar demais.
Às vezes é preciso chorar. Não porque você está triste, não que você tenha motivos nobres, não que a melancolia tenha pulado a janela. É que você cultivou fantasias demais por tempo demais e agora tenta achar razões para continuar acreditando nelas.
Eu tento encaixar expectativas gigantes na minha realidade que não é feia, veja bem, é apenas crua demais. Eu tento ver se seria possível haver aquele ponto de sonho no meio de tanta vida real.
Por isso eu me pego acordada todas as noites, esperando receber a confirmação de que sim, vale a pena acreditar em amor, em destino, em bondade. Vale a pena acreditar que eu consigo e que pela primeira vez não vou desistir. Vale sim, vale a pena acreditar na felicidade impossível.
Mas as noites acabam sem nenhum sinal, os dias continuam sem nenhuma mudança e a vida segue sem muita poesia. Então eu me intoxico de fantasia pra matar meus instintos de menina boba.
Eu preciso de tanta coisa que ainda não veio e sabe lá se virá. Mas prefiro assim a deixar pra lá de vez. Vou sendo boba pra  não ser igual.

“A felicidade é fugaz, pequena demais para meu vício e meu exagero”.

O que fazer em caso de tédio, Tati Bernardi em A Mulher que não prestava.
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