A música da minha vida ou Como crianças são apressadas.

Slow down, you crazy child.
You’re so ambitious for a juvenile.
But then if you’re so smart, tell me why are you still so afraid?
Where’s the fire? What’s the hurry about?
You better cool it off before you burn it out.
You’ve got so much to do and only so many hours in a day.
(…)
Slow down, you’re doing fine.
You can’t be everything you wanna be before your time,
Although it’s so romantic on the borderline tonight.
(…)
You’ve got your passion. You’ve got your pride,
But don’t you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don’t imagine they’ll all come true.

Escolher a música da sua vida é complicado. Antes de completar 18 anos então, pode gerar controvérsias. Se ela tocar em um filme pré-adolescente então, diga adeus à sua credibilidade. Mas foi isso que aconteceu comigo. É triste saber que a música da minha vida também é a música da vida de grande parte da geração De repente 30, mas é preciso aceitar a verdade e persistir.
Essa semana estava conversando com uma amiga sobre como cada palavra de Vienna se encaixa perfeitamente na minha vida, e ela, que não lembrou da música na hora, me pediu pra falar a letra (porque pra cantar tem que rolar um talento). Quando eu terminei ela disse na maior paz interior catacterística dela: “É, é mesmo a música da sua vida”.
O engraçado é que estávamos falando alguns minutos antes exatamente sobre como eu sou uma crazy child que não sabe esperar pela vida. Eu disse que não sei, acho que escrever não vai dar certo pra mim. Ela perguntou a razão. Eu disse que era porque não tinha talento suficiente, porque já passei da hora de ficar esperando as coisas darem certo, que não queria ficar parada esperando meus sonhos se realizarem. Ela, mais uma vez com aquela calma inexplicável, suspirou e falou: “Milena, sinceramente, tudo que você queria aconteceu ou tá acontecendo. Você quer o que? Aos 17 anos já ter feito tudo que sempre sonhou?”
Olha, o mundo ainda não descobriu isso, mas minha amiga é muito sábia. Ou eu sou muito idiota e não vejo o óbvio. Ela está certíssima. Eu queria descobrir uma profissão apaixonante: descobri duas. Eu queria passar no vestibular: passei. Eu queria viajar: viajei. Eu queria morar sozinha: cá estou eu encaixotando os livros e as roupas. Entre outras satisfações pessoais que foram acontecendo numa velocidade incrível.
Nessas horas eu me pergunto o que me falta. Por que eu não mantenho o sorrisão e continuo achando tudo lindo. Bem, até que eu fiz isso. Mas dá essa angústia, essa vontade de sair correndo fazendo as coisas acontecerem. Quando me perguntam o que eu faço, simplesmente respondo “Espero agosto chegar”, e isso não parece certo. Tanta coisa que eu quero fazer, não parece certo diminuir a velocidade. Ficar parada olhando tudo sem agir.
Pressa de viver. Sonhos demais. Tempo de menos. Ou tempo suficiente e só pressa mesmo. Nessas horas eu sou obrigada a dar ouvidos à minha amiga, respirar fundo e continuar esperando agosto chegar. Tudo pra tentar ser uma pessoa melhor e mais centrada. Equilíbrio, Milena, equilíbrio. When will you realize Vienna waits for you?