Vinicius X Drummond


Tenho uma amiga que além de ser o melhor tipo de amiga que alguém pode ter, também é a companhia ideal pra falar sobre Arte. Durante nosso último ano de colégio, ficamos especialmente vidradas em poesia, fato reforçado pelas aulas de Literatura sobre Modernismo e que rendeu diálogos como só duas adolescentes do Ensino Médio discutindo poetas modernistas poderiam travar.
Em um desses diálogos, defendemos nossos prediletos com argumentos muito pouco imparciais. Como se fosse possível determinar que Vinicius é melhor que Drummond ou que Drummond é melhor que Vinicius…
Sendo mais direta, minha amiga prefere Vinicius, enquanto eu prefiro Drummond. É só uma questão de preferência pessoal, porque é claro que é impossível desgostar do outro.
Segundo minha amiga, seu amor por Vinicius é fruto da crença dele no amor feliz. Ele é feliz mesmo quando o amor o magoa, intolerável mesmo seria vê-lo fenecer (palavra que ela descobriu com ele e agora leva vida afora). Somando a isso o fato de que Vinicius era amigo de todos, vivia esquecendo-se de que precisava de dinheiro para pagar as contas e teve uma relação íntima com a música (Bossa Nova, nós te amamos!).
Já os meus motivos pra amar mais Drummond vêm de seu lado mais sombrio e recluso. Não que eu almeje ser uma eremita, é só que por mais que eu adore Vinicius não tenho a mais remota identificação com sua vida boêmia (como ele conseguia escrever tão bem nas mesas dos bares??).
Enquanto Vinicius ficava pelas ruas de Ipanema (também te amamos, Ipanema) fazendo músicas para meninas de 15 anos, Drummond estava sofrendo com seu coração mais vasto que o mundo. Não tem jeito de eu não preferir o cara atormentado!
Enquanto Vinicus se divertia compondo com Baden Powell, Drummond tentava suportar a descoberta de um coração tão pequeno que não comportava nem suas próprias dores.
Quando eu dizia que Drummond estava mais preocupado com a sociedade, ela me vinha com “O Poeta e a Rosa”.
Chegamos a um impasse. Queremos mesmo é que ambos iluminem nossas vidas com toda a poesia que existir. Mas cá entre nós: Vinicius que me desculpe, eu sempre vou preferir o cara introspectivo.

Dedicado a Taíssa *insira aqui algum sobrenome poético*
“(…) porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.”

Anúncios