Encontro de Sábado.

Eram dois, e assim, bem distantes. Sem nunca nenhum contato ou sequer compartilharem o mesmo ambiente.
Ele vívido, jogando piadas e colecionando amigos. Ela quieta e impulsiva, falando só o que muitos não deveriam ouvir. Ele meio perdido, meio perdendo suas interioridades. Ela meio desajustada, perdendo toda a vontade de colecionar relações demasiado frágeis.
Eram dois, e por isso dois cérebros em separado, mas que sem nunca comunicarem-se, estavam, ao mesmo tempo, buscando o mesmo.
Num dia de sábado quente e solitário. É, era um sábado sem muitas expectativas, como tudo deve ser. Encontram-se, veem-se, e sim, se reconhecem.
É rápido. Ele sabe. Ela sabe. Sabem que o outro compartilha do mesmo sentimento, da mesma busca. Sabem que aconteceu.
E era de tudo o mais difícil? Encontrar em um mundo grande, em uma cidade grande, entre pessoas pequenas, médias e imensas, a pessoa exata, cujo olhar fosse aquele e apenas aquele. Fácil se assim fosse, porque não se há de negar, se reconheceram.
Ali estavam, reconhecidos e cientes de o serem. Mas tão incapazes. Tão paralisados. Tão tolos.
O que se há de fazer? O que fazer se esperaram tanto e com tanta ansiedade pelo Encontro que numa simples tarde de sábado parado não conseguiram agir?
Foi-se. Foi-se a chance, o rio, o bonde. Da caravana partida restaram lembranças a serem visitadas quando todos os olhares errados se revelarem. Lembrar d’O Encontro. Que, se maneira inesperada, não bastou.

22 de Agosto de 2010, num caderninho roxo. Acabei de desgostar dele, acho que estou mais positiva ultimamente.