Sobre cabelos, pentes e mães.

Umas das várias reclamações da minha mãe sempre foi a de que eu era muito dependente. Verdade, mãe. Eu realmente sempre dizia “Faz pra mim?” e me sentia totalmente perdida se você dizia que já tava na hora de aprender sozinha.
E umas das coisas que, com certeza, sempre encheu o saco da minha pobre mãe foi o fato de eu acordar todos os dias e pedir “Mãe, penteia meu cabelo?”, e se ela dizia “Poxa, Milena, você já tá grande”, eu, no auge dos meus oito anos (é, eu já tava mesmo grande), sempre vinha com mil explicações pra convencê-la a desembaraçar a juba.
O pior era que eu realmente acreditava que era incapaz de pentear o cabelo de maneira que me fizesse passar por uma pessoa normal na rua. Eu e minha velha insegurança…
Mas o tempo passou, como sempre há de passar. E hoje me peguei penteando o cabelo como se fosse a coisa mais fácil e normal do mundo, o que, de fato, é. Aí do nada me lembrei do enorme obstáculo que sempre se interpôs entre o pente e eu. E nós ali, tão amigos.
Então é isso?, pensei. Do nada, sem nenhum marco especial, você sabe se virar sozinha. Então assim que é crescer?