Dos amores passados, hoje já amargos.


– Mas… você acha que me amou?
– Sei lá. A gente nunca tem A certeza, tá sempre mudando de opinião. Mas se valesse dinheiro, eu ia apostar no não, porque, sabe, pode ter sido qualquer coisa. Pode ter sido o jeito que você balançava o cabelinho, uma piscada mais longa, como aquelas de fim de festa, uma frase bonita que você disse na hora errada e pá, eu acreditei. Acreditei nesse tal de amor, todo pra você. Só porque você falava de sonhos e aí eu pensava “É Ela, eu sei”. Mas é você o que? Essas coisas não fazem sentido algum. E eu nem era ou sou um cara sonhador. Vê? Entende? Era só bobagem, e a gente que inventou. A gente inventa o amor, só porque, no fundo, sabe que tá inventando a dor. E a gente acha dor bonitinho. Mas não mais. Parei com isso de inventar, dramatizar, sair por aí como se eu estivesse em cima do palco e tivesse plateia. Era só o costume. Amor é só isso, costume de representar. Mas mesmo que tivesse sido verdade, não ia ser o bastante. Porque nada nunca é o bastante. A gente nunca vai se completar, nenhum de nós. É o costume também. Fazer carinha de desolação e se sentir “vazio…”. Isso tudo somos nós. É a nossa loucura, é a nossa psicose.

Não que eu não acredite nele. E quem entre nós desacredita? 🙂

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